Karate para crianças

20/02/2010 13:20

Oss!

Aqui vai um escrito meu, "publicado" em março de 2007 na comunidade Estudos Sobre Karate, mas com algumas pequenas modificações.

 Quem quiser comentar pode usar o livro de visitas, ou ainda via e-mail (cavalcantedesouza@gmail.com).

 

Espero que apreciem. Grande Abraço, Oss!

 

TÉCNICA X LAZER

Trabalho com Karate para crianças há algum tempo e essa questão sempre me perseguiu:

Devemos ensinar o karate para as crianças da mesma forma como trabalhamos com adolescentes e adultos?


Minha resposta veio na faculdade ao estudar sobre as particularidades do "mundo infantil". Li Piaget, Vigotski, Wallon,..., enfim, autores e teorias sobre o desenvolvimento da criança nos aspectos psicomotor, cognitivo, afetivo e social. Mais ainda: percebi como o Karate poderia contribuir de forma decisiva na formação dessas crianças (apesar de saber disso instintivamente e até por sempre ouvir de meus Sensei sobre o poder do karate na formação de caráter de um ser humano).


Hoje o meu questionamento se dá não por uma dúvida do que é melhor ou pior - pois acredito que na aula para criança, deve haver ludicidade, prazer, satisfação e elementos de jogo e recreação envolvidos - mas sim, pela indagação: Será que estamos tendo um olhar diferenciado para a criança, ao ensinarmos Karate?

 É óbvio que a técnica não será relegada a segundo plano em nome de uma "diversão pelo karate". Não é isso. Mas o Karate neste caso, num primeiro momento - o da infância- é instrumento pedagógico, um meio para se chagar a algo maior: Educação.

 

Com o passar do tempo, se a criança continua praticando a atividade - e se ela sente prazer naquilo que faz, dificilmente quererá sair - outros elementos técnicos serão "naturalmente" inseridos na aula; o próprio aluno, já um pouco mais velho, sente mais necessidade da técnica do que da "brincadeira".


A brincadeira (que para criança é coisa séria ), estará sempre vinculada ao conteúdo a ser trabalhado. O lúdico será sempre um aliado da técnica, uma estratégia de motivação e mais: uma forma também de protegermos essa criança de uma lesão desnessária, pois esse é outro ponto preocupante.


A cada geração que passa, vemos crianças cada vez mais novas participando de competições, com adultos (sejam pais ou professores) numa cobrança no mínimo absurda em cima desta criança. Sem entrar no mérito do estrago feito no aspecto psicológico/afetivo desta criança, essa cobrança normalmente resulta em treinamentos cada vez mais pesados, desproporcionais para a idade e conseqüentemente, causadores de lesões. Está se tornando normal ver pré-adolescentes com problemas nas articulações, causados por excesso de atividade (incluindo aí as mochilas cada vez mais pesadas também), quando na verdade esta atividade - no nosso caso o Karate - deveria proteger o corpo deste aprendiz.
Perdoem se as vezes pareço exagerado, mas é preocupante ver crianças sendo transformadas em "robôs" em nome de um resultado competitivo que, não sendo trabalhado de forma saudável, traz problemas e seqüelas duradouras.

 

Tenhamos um olhar diferenciado quando nosso(a) aluno(a) for uma criança.

 

Oss!